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  • Ana Paula Farina

A Janela da Fantasia


"No cerne da história rememorada, às vezes mitificada, da qual cada um carrega traços, Freud, via decifração dos sintomas, reconheceu, entretanto a presença de um núcleo ignorado, a fixidez de uma espécie de cenário que habita cada falante (...). Essa fixidez se chama, segundo o próprio Freud, fantasia [fantasme]. Lacan diz fantasia fundamental. Uma espécie de romance no romance, uma invariante da memória histórica, que âncora os deslizes dialéticos do sentido. Digamos que o fantasma e o sentido único" [sens unique] que sustenta o desejo e regula todas as relações de um sujeito com os outros e o Outro do discurso". (Soler, 2018)


Assim como uma janela que faz um recorte de nosso olhar e uma moldura para a paisagem, a fantasia traz uma montagem de nosso mundo particular, de todas as histórias que cada um conta sobre si mesmo e sobre sua própria vida.


E, como nos diz Jean-pierre Winter, fantasia esta, que jamais é tão visível nem tão audível ou tão consistente quanto na relação amorosa. Pois é ali, precisamente, onde fantasia é posta em ato.



"Lacan, leitor de Joyce", por Colette Soler.

"Os Errantes da carnel", por Jean-pierre Winter.

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